A arquitetura do século dezenove

A arquitetura do século dezenove

Nos últimos anos de século dezenove

Nos últimos anos do século dezenove, sinais inúmeros revelaram que a tendência ao máximo de representacionismo exato, já havia passado.
A representação de flores e figuras desapareceu dos tapetes e dos tecidos; e na pintura e escultura, a representação tornou se um aspecto secundário e subordinado.
Já tivemos ocasião de observar um período anterior de preocupação realista, ao tempo de Aknaton no Egito, e um outro, durante o período greco-romano, e salientamos a rapidez com que desta última fase se simbolismo da arte bizantina e gótica e dos métodos formais e geométricos da decoração muçulmana.
Ainda mais primitivamente, o vívido impressionismo do último período paleolítico fora seguido pelo formalismo da arte neolítica primitiva.
Agora, na primeira e segunda décadas do século vinte, encontramos de novo a arte a afastar se, como se saciada, da realidade, a desprezar a forma exterior pelos traços de movimentos e a tornar se, mais uma vez, analítica e simbólica.
Essa tendência parece provável que perdure. Ajuda a, agora, a crescente eficiência da fotografia para a simples precisão circunstancial. O mundo cansa se, afinal, do fato não digerido.

Estilo do Renascimento

O século dezenove inaugurou se com uma fase de mediocridade em arquitetura. A tradição clássica, sustentada pelo domínio dos pedantes clássicos das escolas, havia gradualmente sobrepujado e tolhido o livre desenvolvimento do estilo do Renascimento, e a maior parte dos novos edifícios traía uma saudade de uma época passada cerca de dois mil anos atrás. Por toda a parte, erguiam se as fachadas de estuque, com as suas colunas brancas. Depois, com a renovação romântica na literatura, sobre que nos estenderemos adiante, com o desastre da tentativa de Napoleão de restaurar a Roma Imperial, a atenção desse período essencialmente imitativo voltou se para a Idade Média. Houve uma revivescência do gótico, depois da revivescência clássica.

Em França e na Alemanha, houve maior iniciativa arquitetônica; o estilo do Renascimento ainda viveu e se desenvolveu na França.
Os interessantes problemas de arquitetura entretanto, que suscitavam as estações de estrada de ferro e as suas pontes, os armazéns, as fábricas, nunca foram em nenhuma parte seriamente examinados, com a possível exceção da Alemanha.
A regra para tais edifícios foi a de uma fealdade ineficiente.
Era como se o atropelamento das novas necessidades, novos materiais e novas oportunidades tivesse vencido a coragem arquitetônica da época. Um dos mais estranhos e mais típicos produtos dessa fase de falta de espírito é a ponte da Torre de Londres, em que uma leve e poderosa estrutura de aço é entupida com imitações de alvenaria flamenga e recordações de pontes levadiças medievais.
Todos os edifícios púbicos da Grã-Bretanha do século dezenove tresandam, aliás, esse bafio histórico de cadente.

A arquitetura residencial degenerou ainda mais do que a pública, durante a maior parte do século.

História da Arte, texto colhidos do livro Historia Universal H.G.WELLS
( Jorge Soares ).

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